quinta-feira, 27 de setembro de 2012


 " A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres ..."

sábado, 8 de setembro de 2012

Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.

De cartas que jamais escrevi

Por enquanto eu estou aqui.
Não necessariamente no mesmo lugar, pois dei algumas voltas,
troquei a posição, troquei as flores, mudei de roupa.
Mas estou na mesma área, pelo menos ainda resido no raio
dos poucos quilômetros afetivos que nos pertencia.
E se te interessar, mesmo continuando aqui, exorcizei
as promessas vazias, os amores de verão, a sinceridade enganosa.
Consola-me saber que não me perdi do caminho


Ainda estou aqui, sem demarcar fronteiras,

cantando todas as canções e por acaso com o
mesmo sentimento personalizado, ironicamente agora sentido, à prestação.
Ainda tenho algumas edições de saudade, apenas algumas.
Estou em fim de temporada, mas ainda resta uma sutil ilusão.


Por enquanto ainda funciona a minha invenção de que

a gente se queria e por isso ainda rola algumas canções, algumas fantasias.
Pelos últimos acontecimentos, ou seja, pela falta de acontecimentos,
eu presumo que pouco vou me demorar neste mesmo lugar
e se resolver chegar, que seja bem depressa porque meu coração pode
ficar audacioso e tomar outro rumo sem nenhum enunciado.
Ainda estou, mas se eu for, por favor, me desculpe,
é porque precisei me refazer e estacionar em outro lugar,
pois ainda tenho a alegre confirmação que de pedaços em pedaços,
não sobrará nenhum caquinho das ilusões do passado.
Agora não presto mais atenção no
passado que junta mofo sentimental.

Quando você fez tudo o que foi preciso e ainda
assim não foi o bastante, é isso que eu chamo de impossível.
Não adianta, é só teimosia, nosso amor só funciona na horizontal.
Digo a ele que não preciso de carona merda nenhuma e
vou andando até em casa. Eu preciso pensar.
Na verdade, eu preciso não pensar.
Tenho medo de descobrir coisas que não quero. E não dá outra,
no trajeto eu me dou conta que eu sou sim uma garota inflável.
Sempre quando eu acabo vindo, no dia seguinte
eu me sinto flácida, murcha, vazia,
embrulhada e guardada numa gaveta.


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