Páginas

terça-feira, 26 de abril de 2011

De cartas que jamais escrevi

 Liberte-se

Às vezes minha vontade é de quebrar tudo, jogar copos no chão, quebrar espelhos, e o pior, tacar meu coração na parede e dizer de novo não, eu te avisei seu idiota, agora quem sofre e se descabela de dor somos nós, quem vai sentir saudades somos nós dois, e não ele, não mais ele, quem vai gritar, chorar, e se trancar novamente sou eu, droga de coração, eu te tranquei e jurei nunca mais abrir a porta, nunca mais chorar, e nem me culpar por nada mais, mas quem pode segurar o coração, ainda mais quando ele conta com a razão e a emoção ao seu lado, quando ele pede mais uma chance, e diz não se entregar e nem voltar triste e abandonado como das outras vezes, mas acho que dessa vez a surra foi pior, feriu mais, machucou bem mais, e as lágrimas ardem ao rolar pelo rosto cansado de tanta decepção, e é como se um arrependimento batesse, e friamente dissesse: "te avisei, era só uma ilusão e você quiz tornar real o que nunca seria possível", pobre de nós coração, novamente sós, eu e você, talvez nossa união não tenha sido a melhor, talvez na luta agora seja cada um por si, talvez eu te tranque para sempre, e jogue a chave fora, e não mais jure nada, apenas me privo, não mais condeno nada, apenas guardo pra mim. É, o momento mais doloroso é aquele que agente vai se consumindo sozinha, tirando das entranhas argumentos, explicações, talvez até desculpas, algo que acalmasse, e tirasse um pouco do peso da culpa, inventando algo que não existe para doer menos, para anesteziar, o mais dificil de agora em diante vai ser se libertar disso, e fazer com que o coração volte a bater, a pulsar como antes, e criar resistência, força, para não mais cair, e um dia talvez o amor guardar permanentemente dentro de si, á sete chaves.